Esclareça dúvidas sobre amamentação

10/03/2018 | Da Redação
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A prática é essencial para o desenvolvimento do bebê

A amamentação é essencial para o desenvolvimento emocional, cognitivo e do sistema nervoso do bebê. No entanto, muitas mães têm dificuldades para se adaptar a essa fase ― principalmente quando são mães de primeira viagem ― seja para encontrar a melhor posição para a mamada, ou até mesmo por acreditarem em mitos que passam de geração em geração. E para dar uma mãozinha para as mulheres, Achilles Cruz, especialista em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, diz o que é mito ou verdade sobre o assunto.

Amamentar dói?

Nem mito, nem verdade. Geralmente, a mulher não sente dor, mas tudo depende da sensibilidade da mãe e se o bebê suga o peito da forma correta – ou seja, se abocanha a aréola e não somente o mamilo.

Seio pequeno não produz leite?

Mito. A diferença entre os seios grandes e pequenos é medida pela gordura de cada mama e não pela quantidade de glândulas mamárias (células produtoras) e os ductos de leite. Pelo contrário, esses fatores são iguais em todas as mulheres, inclusive, as que aderem às próteses de silicone. Somente no caso de cirurgias redutoras esse número pode ser menor.

A amamentação pode ser encarada como um método contraceptivo?

Mito. É possível que a mulher ovule mesmo durante a amamentação, pois mesmo que nesse período haja o bloqueio do ciclo menstrual, a eliminação dos hormônios só é completa quando a amamentação é frequente e feita em intervalos curtos. Como isso não é tão comum, o ideal é que a mulher adote algum método contraceptivo ― indicado pelo ginecologista ― a partir da sexta semana após o parto.

A mulher que está amamentando pode tomar qualquer tipo de pílula?

Mito. Existem pílulas compostas por progestagênio ― hormônio que inibe a ovulação ― e livre de estrogênio, hormônio que pode bloquear a produção de leite. Dessa forma, a medicação impede a gravidez e evita que haja alterações na produção, qualidade e volume de leite. E mais: seu princípio ativo não passa para o leite, evitando mudanças no gosto.

A alimentação da mãe influencia o leite?

Verdade. Tudo o que a mãe come passa para o leite. Por isso, é importante que a mulher faça uma dieta saudável e beba bastante líquido nesse período. O consumo de bebidas alcoólicas ou cigarros é contraindicado. Medicamentos, por exemplo, só devem ser tomados com orientação médica.

O leite materno pode ser fraco?

Mito. O leite materno é composto por 97% de água e, por isso, é facilmente digerido pelo bebê, fazendo com que ele sinta fome várias vezes ao dia. No entanto, é composto por células vivas que transferem para o bebê a imunidade materna. Ou seja, os glóbulos brancos presentes levam os anticorpos da mãe para o filho. Além disso, pode ser dividido em dois tipos: o chamado leite anterior ― que é rico em água e contém, ainda, vitaminas, minerais e anticorpos ― e o posterior, que é mais rico em gordura, fornece mais energia e permite que o bebê fique satisfeito e ganhe peso.

Na volta ao trabalho, o leite seca?

Nem mito, nem verdade. Caso a mulher consiga fazer a retirada do leite no trabalho e guardar na geladeira, ou ainda sair para amamentar o bebê durante o expediente, a produção de leite vai se manter inalterada. Caso essa frequência seja diminuída, a produção de leite pode sofrer alterações. As mamadas noturnas podem ser cansativas, mas também são fundamentais para manter uma boa produção de leite materno, pois é a hora de maior liberação da prolactina, hormônio que controla esse processo.

Estresse e nervosismo atrapalham a produção de leite?

Verdade. Quando a mulher está muito cansada ou ansiosa, a produção do hormônio ocitocina, que é o responsável pelo escoamento do leite, é reduzida. O que pode prejudicar a descida do leite e, em casos graves, até secá-lo.