Esclareça cinco mitos sobre a leitura

07/10/2017 | atualizado em 11/10/2017 | Da Redação
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Especialista conta detalhes sobre a verdadeira relação com essa prática

mulher realizando leitura de um livro

O incentivo a leitura é muito importante tanto para crianças, jovens ou adultos. Entretanto, 44% da população não lê, de acordo com pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada em 2016. Para Élida Marques, idealizadora do programa Ler é Uma Viagem, que já impactou mais de 35 mil crianças e 7 mil educadores, de São Paulo (SP), conta que a nossa relação com a leitura é muito plural e diversa.

“O ato de ler ajuda as pessoas a se encontrarem consigo mesmas e seus processos subjetivos, para se orientar no dia a dia, e até mesmo para se perder e se reinventar”, afirma. De acordo com a especialista, deve haver uma mudança na forma como as escolas tratam a leitura e maior número de bibliotecas e acervos de livros nos espaços públicos, além de maior conhecimento sobre o assunto, já que muitos mitos confundem as pessoas. Esclareça alguns deles abaixo, com explicações da especialista.

É preciso ler livros para ser leitor | Um dos mitos mais comuns da leitura é de que só é leitor quem lê livros. Ler revistas, mensagens no Whatsapp, textos das redes sociais, placas do dia a dia e histórias em quadrinhos são leituras tão importantes quanto a de livros. “Atualmente, passamos o dia lendo no celular e não nos damos conta disso”, ressalta, lembrando que há diferenças entre os tipos de leitura, e todos devem ser valorizados. “É importante ler textos mais profundos que as mensagens de celular, mas a ausência deles não faz de alguém um não-leitor”, resume.

Bons leitores leem o tempo todo | Um dos direitos do leitor é o de não ler. “Uma pessoa, mesmo sendo leitora, pode ficar períodos mais longos sem ler”, conta, destacando que o fato de alguém não querer ler por algum período não significa que a pessoa deixe de ser leitora.

Os leitores precisam amar tudo o que leem | Segundo Élida, nem sempre as pessoas devem apreciar a leitura que fazem, seja de um livro, revista ou uma bula de remédio. “O prazer pela leitura depende do contexto, do momento e de outros fatores”, explica. Desta forma, a leitura nunca é uma experiência fechada, pois está sempre em relação dinâmica com seus suportes e sujeitos.

É necessário ler livros clássicos | Ninguém é obrigado a ler com frequência, sequer a ler um livro inteiro e, muito menos, a ler clássicos. “Alguns clássicos são ensinados nas escolas porque fazem parte do conteúdo de formação da nossa literatura, mas isso não significa que a prática precisa estar atrelada ao acompanhamento destas obras”, conta Élida.

As pessoas devem produzir algo depois de uma leitura | “O ato de ler já é uma experiência que vale por si própria, então não é preciso produzir alguma coisa após terminar de ler qualquer obra”, explica. “Temos o direito de ler e nos calar”, completa.