Não retire o glúten do cardápio sem necessidade!

18/04/2017 | atualizado em 20/04/2017 | Da Redação
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Especialista explica as complicações da exclusão e os casos indicados

mulher recusando pão com glúten

Você já deve ter ouvido falar (e muito!) sobre dietas que restringem o glúten da alimentação. Mas será que essa proteína precisa ser retirada do cardápio? De acordo com Aretha Magalhães, nutricionista da Equilibrium e consultora da Finna, marca de farinhas e misturas para bolo, de São Paulo (SP), as únicas pessoas que precisam fazer essa exclusão são os intolerantes a este nutriente. “De tempos em tempos os ‘vilões’ da alimentação saudável mudam de nome. Um mito atual são as dietas glúten free para pessoas que não tenham indicação para isso. A retirada desse componente não faz diferença na saúde de pessoas saudáveis e pode trazer certos riscos, principalmente quando feita sem orientação”, ressalta. O glúten é encontrado naturalmente em alguns cereais como trigo, centeio, cevada e aveia. “A aveia não tem glúten, mas, no processo de produção e armazenamento, caso haja o plantio dos outros cereais por perto, acaba apresentando traços do nutriente”, explica Aretha.

Algumas condições de saúde impõem a necessidade da retirada do glúten da dieta. O principal exemplo é a doença celíaca, uma condição autoimune em que glúten é reconhecido como uma ameaça e ocorre lesão da mucosa intestinal, má absorção de nutrientes, diarreia, gases e déficit de crescimento em crianças. Estima-se que no máximo 1% da população sofra de doença celíaca. Por outro lado, retirar pães, massas e outros alimentos à base de farinhas da dieta podem levar a deficiências nutricionais. Um estudo de revisão de 2016 publicado na revista Clinical Nutrition mostrou que dietas sem glúten em geral são pobres em fibras por conta da exclusão dos grãos, vitamina D, vitamina B12, folato e minerais como ferro, zinco, magnésio e cálcio. “Também foi verificado um aumento do consumo de gorduras saturadas e hidrogenadas e carboidrato de alto índice glicêmico, pois os principais substitutos da farinha de trigo como a tapioca, farinha de arroz e polvilho possuem alta carga e índice glicêmico e são pobres em fibras”, ensina a profissional.

Se por acaso você tenha feito a exclusão da proteína e alcançou bons resultados na perda de peso – o que faz com que acredite que vale a pena –, nós explicamos o motivo: provavelmente, os benefícios se deram pela retirada do excesso de carboidratos em geral e normalmente outras mudanças alimentares, como acrescentar mais vegetais e frutas e reduzir açúcar, por exemplo, e não pelo glúten. “Essas mudanças são bem-vindas, podem e devem ser feitas. Mas, não é necessário excluir grupos alimentares para isso. E, caso uma restrição seja necessária faça com acompanhamento de um nutricionista”, finaliza Aretha Magalhães.