Esclareça seis mitos sobre doação de medula óssea

19/10/2017 | atualizado em 23/10/2017 | Da Redação
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Saiba como funciona o procedimento que pode salvar vidas

mulher tirando dúvidas sobre doação de medula óssea

Você tem vontade de doar medula óssea, mas não sabe exatamente como funciona? De acordo com Luciana Conti Castilho, hematologista da Oncoclínica do Rio de Janeiro (RJ), para doar é necessário se cadastrar em um banco de medula óssea – que nada mais é que um sistema de computador que armazena os dados do doador, como a tipagem HLA (a assinatura do DNA), e cruza com os dados dos receptores.

“Dessa forma, são identificados aqueles que são compatíveis para que sejam contatados e convidados a comparecer. O convite é feito, podendo ser recusado pelos cadastrados, uma vez que só doa a medula óssea quem aceita o processo. Esse procedimento é feito para dar a liberdade para as pessoas cadastradas mudarem de ideia, caso desistam de doar. Por isso, quando é encontrado algum receptor compatível com você, o Redome entrará em contato e fará o convite para comparecimento”, explica.

Tem mais dúvidas sobre o procedimento? A especialista esclarece as principais questões sobre o assunto abaixo. Confira!

  1. Só há uma forma de doação de medula óssea? | Mito. O procedimento pode ser feito de duas formas: diretamente da medula óssea ou no sangue periférico. A escolha será feita pelo médico transplantador na dependência de vários fatores, entre eles, qual a doença do receptor. Se a doação for diretamente da medula óssea, o doador será levado ao centro cirúrgico e, sob anestesia, será coletado sangue de dentro do osso do quadril com uma agulha especial para esse procedimento. Durante todo o processo, o doador fica sedado (dormindo) e, quando desperta, já está tudo terminado. Não há dor. Já na doação da célula tronco pelo sangue periférico, há uma máquina que separa o que é célula tronco e devolve todo o sangue para o doador. Nesse caso, o doador dica acordado, com um acesso na veia do braço, aguardando o procedimento terminar. É possível ver televisão, mexer em eletrônicos, ler um livro ou até mesmo cochilar durante o processo.
  2. Amamentação, tatuagem, vacina e jejum não impedem a doação? | Mito.  São muitos detalhes que fazem com o que a pessoa seja apta ou inapta a ser um doador. Por isso, é necessária a aplicação do questionário e entrevista com um profissional de saúde no processo que precede o cadastro do doador. Mas, para facilitar um pouco, chamo atenção para alguns pontos importantes. A idade é de 18 a 65 anos. Doenças autoimunes ou qualquer tipo de câncer inaptam o doador, bem como o jejum, tatuagem recente, gestação, amamentação, vacina da febre amarela há menos de um ano, privação de sono, hepatite B e C e entre outros.
  3. A doação de medula óssea deixa a saúde do doador debilitada? | Mito.  Depois da doação, pode haver uma anemia transitória. Mas, como estamos falando de doadores, ou seja, indivíduos saudáveis, não há impacto algum na saúde. A própria medula óssea resolve essa anemia, que pode ter uma ajuda do uso de ferro oral por pouco tempo após a doação.
  1. Qualquer pessoa que se cadastre se torna automaticamente um doador? | Mito. Nem sempre será possível concluir o cadastro. Os critérios utilizados para aceitar ou não um voluntário para doação são extremamente rigorosos e visam não apenas o cuidado com o receptor, mas, também, proteger o doador. Lembrem-se de que o receptor é uma pessoa com uma doença grave e que está totalmente vulnerável do ponto de vista de defesa. Sendo assim, algo que não traz qualquer risco para as pessoas saudáveis pode ser fatal para o receptor de medula óssea. Além disso, o doador é um voluntário saudável e, por isso, é inaceitável submetê-lo a riscos. Dessa forma, os critérios de avaliação devem ser seguidos à risca.
  2. O receptor de medula óssea não tem pressa de receber a doação? | Mito. Todos os receptores, que podem ser desde um bebê até um adulto, têm doenças muito graves malignas ou doenças hematológicas benignas e não conseguirão viver muito tempo sem um transplante de medula óssea. São pessoas frágeis do ponto de vista de defesa. As principais doenças que precisam de transplante alogênico (ou transplante com doador) são leucemias, aplasia medular, alguns tipos de linfomas, entre outras.
  3. Posso me cadastrar no Redome para fazer uma doação personalizada? | Mito. É importante saber que não é possível se cadastrar no banco de doadores (Redome) para uma pessoa específica. A busca é feita para todos os receptores que estão ali precisando de um doador.