Protetor solar não deve sair da bolsa durante o verão

Especialistas afirmam que o produto é a forma mais segura de proteção contra a radiação
embalagens de protetor solar

A chegada das estações mais quentes deve te lembrar algumas coisas: os danos solares são imediatos e, por isso, a pele fica vermelha. Mas eles também persistem e danificam o material genético, causando envelhecimento e câncer de pele. E qual a forma mais eficaz de se defender? Usar o protetor solar!

Recentemente, uma pesquisa comprovou que o guarda-sol não consegue bloquear as radiações e oferece no máximo um fator de proteção solar (FPS) 8. Os raios UVA são os principais responsáveis pelo envelhecimento precoce, já que atravessam nuvens, vidro e epiderme e penetram na pele em grande profundidade, até as células da derme, produzindo radicais livres. Entre os prejuízos, estão desde lesões mais simples até, em casos mais graves, o câncer de pele.

Já os raios UVB deixam a pele vermelha e queimada, danificam a epiderme e são mais abundantes entre as 10 horas da manhã e as 4 horas da tarde. Essa radiação pode furar o bloqueio dos filtros químicos e aumentar o risco de câncer. Thais Pepe, dermatologista, e Lucas Portilho, pesquisador em fotoproteção na Unicamp, esclarecem as principais dúvidas sobre a fotoproteção.

Qual a quantidade ideal de protetor solar?
“Para obter a proteção do fator de proteção solar descrito na rotulagem, é necessário aplicar 2 mg/cm². De forma prática, se pensarmos no rosto, equivale a uma colher de café cheia”, conta Lucas Portilho. No caso do corpo, o consenso é aplicar uma colher de café no braço e no antebraço direitos; uma colher no braço e no antebraço esquerdos; duas colheres no torso (uma para a frente e uma para as costas); duas colheres para a coxa e a perna direitas (uma para a parte da frente e uma para a parte de trás); e duas colheres para a coxa e a perna esquerdas (uma para a parte da frente e uma para a de trás).
Como e onde deve ser aplicado?
“No caso do rosto, é preciso passar uma camada generosa do filtro solar até que cubra toda a área e se tenha aquela sensação de que existe um conforto e uma cobertura homogênea. Então, obrigatoriamente, deve-se passar até a raiz do cabelo e também na região pré-auricular, bem pertinho da dobra da orelha. É fundamental não esquecer pescoço, nuca e orelhas quando estiver em situações como praia, piscina e caminhada, porque essas são áreas que frequentemente sofrem queimaduras”, enfatiza Thais. “Além disso, deve-se reforçar as regiões do osso da bochecha, ao redor dos lábios, na ponta do nariz e em suas laterais, já que que essas são áreas em que nós mais percebemos os campos de cancerização e mesmo a formação das manchas. Já no caso do corpo, uma recomendação importante: sempre que for para a exposição solar, passe o filtro antes de se vestir. “E o filtro solar deve ser aplicado puro sobre a pele. Não se deve passar um filtro solar com perfume ou com hidratante para não perder a sua potência e aderência”, completa a dermatologista.

Quando deve ser aplicado?
“Não adianta esperar chegar à praia ou à piscina para passar o protetor solar. Ele precisa de pelo menos 20 minutos para começar a agir e, nesse período, já é possível que as células sofram danos”, afirma Thais. Além disso, a reaplicação deve ocorrer a cada duas horas, com uso de chapéu e óculos.

Qual FPS devo usar?
“A partir do FPS 30 já temos uma boa proteção, que fica perto de 97% de absorção dos raios UVB. O problema é que, como os brasileiros não aplicam uma quantidade adequada de produto, quando usam um FPS 30, na verdade a proteção é equivalente a um FPS 8”, conta Lucas. “Por isso gosto de fotoprotetores com FPS mais alto, como 50, 60 e 70. Acima disso, o produto fica muito ruim sensorialmente e faz com que o consumidor não o utilize diariamente. Afinal, ninguém gosta de ficar com o rosto oleoso”, acrescenta.

Que protetor usar?
As classificações da pele requerem fotoprotetores diferentes. “Por exemplo, uma pessoa com fototipo 1 precisa de uma proteção muito maior quando comparada a uma pessoa com fototipo maior. Isso porque, quanto maior o fototipo, mais escura a melanina da pele, um pigmento que protege da radiação. Portanto, um indivíduo com pele clara tem menos proteção e, por isso, precisa de fotoprotetores com FPS e UVA maiores”, explica Lucas Portilho. E tem mais: “em relação ao sensorial do fotoprotetor, é importante usar produtos que sejam mais secos, no caso de pessoas com pele oleosa, ou produtos mais hidratantes, no caso de quem apresenta pele seca”, completa o pesquisador.