EMDR: terapia para relacionamentos abusivos

Reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), ela trata sequelas provocadas por transtorno pós-traumático de violência, abusos e estupros

Não é fácil sair de um relacionamento abusivo, tampouco superá-lo. Dados divulgados pelo 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Brasil, em 2017, teve 221.238 registros de violência doméstica – ou seja, 606 casos, por dia, de lesão corporal enquadrados na lei Maria da Penha.

A terapia de EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing, ou Dessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares) vem mostrando resultados eficazes para pacientes que vivenciaram violência psicológica e física, através da estimulação das lembranças. O método atua na origem dos sintomas ansiosos e depressivos registrados por meio de imagens, crenças, emoções e sensações corporais.

“A paciente é incentivada a se lembrar da situação ou sensação traumática. O terapeuta a orienta a movimentar os olhos de determinada maneira, que leve o cérebro a processar o fato e arquivá-lo de uma forma funcional, ” diz Ana Lúcia Castello, psicóloga e presidente da Associação Brasileira de EMDR, em São Paulo (SP). “Muitas mulheres relatam que a sensação da lembrança foi de fato colocada no passado, e que já não se incomodam mais em lembrar dela,” completa.

Estimulação do cérebro
No tratamento, utiliza-se um protocolo de oito fases, que dá ao paciente acesso a todos os pilares da memória necessários para reprocessar traumas. Ao se aplicar um estímulo visual, auditivo ou tátil, se instiga a rede neural onde ficou presa a lembrança.

“Cada série de movimentos continua soltando a informação perturbadora e acelera essa informação através de um caminho adaptativo até que os pensamentos, sentimentos, imagens e emoções tenham se dissipado e sejam espontaneamente substituídos por uma atitude positiva,” diz Ana. Segundo a especialista, a terapia pode ajudar na avaliação do que promoveu este encontro com alguém com características abusadoras e os porquês de ter continuado nesta situação. Consequentemente, ajuda a enxergar estas características potenciais em outros abusadores e livrar-se deles.