Várias formas de amor

Monogamia, poligamia, poliamor... Você sabe a diferença entre cada jeito de se relacionar?

Você sabe o que é monogamia e poligamia? A primeira é uma relação exclusiva entre duas pessoas. Já a poligamia é a relação de um indivíduo com outros. Ela pode ser classificada em poliginia (quando um homem se relaciona com várias mulheres), poliandria (uma mulher que se relaciona com mais de um homem) ou ainda vários homens com várias mulheres, que recebe o nome de poliandroginia ou poliginandria – também chamado de casamento de grupo. Também há quem escolha por uma relação aberta.

“Neste caso, há uma hierarquia, pois existe uma relação principal, central, e relações secundárias, periféricas que envolvem, em geral, apenas o aspecto sexual sem envolvimento emocional”, diz o psiquiatra Mario Louzã, doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg, Alemanha.

Ainda segundo o médico, o termo poliamor aborda, além do aspecto sexual, o envolvimento afetivo/emocional entre as pessoas. Trata-se de uma relação de intimidade de longo prazo. Essas modalidades envolvem a aceitação da situação pelos envolvidos. “Já uma relação não-monogâmica não-consensual corresponde à infidelidade, uma vez que o ‘contrato’ da relação monogâmica é rompido sem que haja um acordo entre as partes ou a aceitação por uma das partes”, explica Louzã.

Afinal, somos naturalmente monogâmicos?
A maior parte dos animais não é monogâmico. “A monogamia de curto ou longo prazo depende do tempo que a cria leva para atingir maturidade suficiente para sobreviver por si mesma”, diz.

Há a tendência a uma divisão de tarefas: um cuida da cria enquanto o outro traz o alimento necessário para todos. Já na espécie humana, a monogamia costuma ser o modelo tradicional, exceto em determinadas culturas, em que a poligamia é comum e aceita.

“No entanto, o lado irracional e instintivo do ser humano pode impedir que a relação com uma única pessoa seja duradoura”, pondera. No Brasil, uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), envolvendo quase 4 mil pessoas casadas em 17 cidades, mostrou que metade dos homens já traiu, ao menos, uma vez. Com as mulheres, o índice médio de infidelidade apontado foi em torno de 22%.

Abrir o relacionamento pode salvar uma relação?
A decisão de uma relação aberta precisa ser consensual e bem amadurecida, pois a chance de haver ciúmes, insegurança e frustração é muito grande. “Se a relação vai mal, é pouco provável que abrir o relacionamento vá salvar o casal. O ideal é buscar uma terapia conjunta e entender o que anda errado entre os dois. Abrir a relação é, na verdade, uma escolha de casais que estão muito seguros de seu relacionamento, cientes dos limites dessa abertura e com critérios muito bem estabelecidos”, finaliza o psiquiatra.