Consumo exagerado de açúcar faz mal para o cérebro

O açúcar refinado, particularmente no início da vida, pode ser tóxico

Um número crescente de pesquisas revela o impacto de dietas ricas em carboidratos na função cognitiva do cérebro. “Em estudos com roedores, foi constatado que a função neurocognitiva (especialmente a aprendizagem e a memória) pode ser particularmente vulnerável a gorduras com alto teor de carboidratos”, conta Sarina Occhipinti, nutróloga de Nova Lima (MG).

Em contrapartida, outra pesquisa testou o impacto de uma dieta mediterrânea, tipicamente baixa em açúcares refinados, em 120 crianças e adolescentes. O resultado foi que, quanto maior adesão à dieta, menor o risco de diagnóstico de déficit de atenção e hiperatividade.

O açúcar é uma fonte de glicose rapidamente absorvida e, se consumido em excesso, pode levar a uma série de outros problemas. “Caso a criança já tenha tendência ao sobrepeso, existe o perigo de resistência à insulina, iniciando um caso de diabetes tipo 2”, completa.

Consumo exagerado de açúcar preocupa

Nos Estados Unidos, segundo a Associação Americana do Coração, as crianças do país consomem até 80 gramas de açúcar por dia, mais de três vezes o recomendado (que é de 25g). Já no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), se calcularmos a quantidade de carboidratos consumidos apenas nos lanches intermediários das crianças, o total seria de cinco quilos de açúcar por ano.

Educação alimentar já!

Para Sarina, os pais devem educar suas crianças sobre o consumo consciente do açúcar. “Deve-se evitar o açúcar adicionado antes dos dois anos, porque, nessa etapa, o paladar ainda está se desenvolvendo. Restringir o doce ao que vem naturalmente de alimentos, como frutas e leite, estimula a percepção dos gostos”, ressalta a especialista.