Depressão pós-parto: como identificar e tratar

A condição é comum, mas exige tratamento

Depressão pós-parto é aquela que ocorre entre 4 a 6 semanas após o nascimento do bebê. No entanto, em muitos casos, começa já no final da gravidez e persiste no puerpério.

O quadro mais leve e transitório, conhecido como “maternity blues”, chega a acometer 60% das mulheres. Os sintomas, como tristeza, choro fácil, instabilidade das emoções e desânimo, são sentidos nos primeiros dias, mas desaparecem cerca de uma ou duas semanas depois. Já a depressão pós-parto é mais grave.

Eles são similares aos da depressão comum, como tristeza, apatia, ideias de culpa, insônia e até desinteresse pelo bebê. “Nos casos mais críticos, pode haver ideias suicidas e até o risco de infanticídio, o que, felizmente, é raro. A frequência de ideação suicida é de cerca de 2% nos primeiros seis meses pós-parto”, diz Mario Louzã, médico psiquiatra de São Paulo (SP).

Reincidência
A tendência à depressão pós-parto depende de vários fatores, incluindo genética, alterações hormonais típicas da gravidez e do pós-parto, fatores sociais e culturais, além do estresse com as novas demandas da maternidade. Mulheres que tiveram depressão pós-parto podem ter novamente em outras gestações. “Por isso, é preciso ficar alerta aos sintomas, que podem se manifestar de novo”, diz o psiquiatra.

Como tratar?
O tratamento, dependendo do caso, pode incluir medicação antidepressiva, sempre com orientação médica, principalmente se a mãe estiver amamentando o bebê. A psicoterapia também pode auxiliar a mãe a lidar com as dificuldades e responsabilidades da nova rotina. A ajuda da família e a intervenção terapêutica são fundamentais. “Reconhecer que a depressão é uma doença como outra qualquer e incentivar o tratamento ajuda na recuperação da mãe”, finaliza o médico.