Dez dúvidas sobre pressão alta na gravidez

Especialista em pré-natal de alto risco explica todas as questões que envolvem a doença

O período gestacional envolve uma série de mudanças corporais. Algumas delas são internas, como o afrouxamento dos vasos sanguíneos em função da diminuição da pressão arterial. Há casos em que a mulher já possui hipertensão antes de engravidar, mas essa doença pode evoluir durante a gravidez.

Nas duas situações, pode haver uma série de complicações à mamãe e ao bebê. Contudo, se a doença for tratada da maneira correta, a gestação tente a não ter grandes complicações. Para tranquilizar as futuras mamães, a ginecologista e obstetra Ana Claudia Frabetti Koiffman, do Hospital e Maternidade São Luiz unidade São Caetano do Sul (SP), especialista em gestação de alto risco, listou 10 perguntas sobre pressão alta na gravidez:

  1. O que é hipertensão na gestação?

Também chamada de pré-eclâmpsia, é uma doença que atinge aproximadamente 5 % das gestantes e se caracteriza pelo desenvolvimento de hipertensão arterial após a vigésima semana de gestação. Quanto mais precoce sua manifestação clínica, maior a gravidade da doença.

  1. Quais são as causas?

Os médicos ainda não sabem ao certo o que causa a hipertensão, mas é uma doença imunológica que leva à alteração na circulação placentária e, consequentemente, traz problemas para o bebê.

  1. É possível tratar a doença sem medicação? Fazer atividade física pode ajudar?

Não. As medicações que reduzem a pressão arterial ainda são a melhor forma de controle. Por ser uma doença que ocorre quando o próprio sistema imunológico não funciona corretamente, a atividade física não interfere, sendo até contraindicada em alguns casos.

  1. O que acontece com quem já tem a doença e engravida?

Nestes casos, há risco aumentado para o desenvolvimento de hipertensão gestacional. A prevenção para pré-eclâmpsia se dá com o uso de dieta rica em cálcio e uso de ácido acetilsalicílico (AAS) para alguns casos.

  1. Quais os sinais de que o problema está complicando a gravidez?

Surgimento de proteína na urina, restrição de crescimento fetal e diminuição de líquido amniótico.

  1. Pode causar prematuridade?

Sim. Em casos graves, a única forma de tratamento definitivo é antecipação do parto, muitas vezes antes das 37 semanas de gestação.

  1. A doença pode prejudicar a formação do bebê?

Não, pois ela não interfere diretamente na formação fetal. Porém, indiretamente, pode causar envelhecimento placentário e, assim, restrição de crescimento fetal ou diminuição do líquido amniótico.

  1. E o que pode acontecer com a mãe?

Todos os órgãos podem sofrer com os efeitos da pré-eclâmpsia, sendo cérebro, fígado e rins os órgãos mais acometidos. Essa gestante deve ser acompanhada por médicos especialistas em pré-natal de alto risco.

  1. Qual é o perfil das mulheres que podem desenvolver essa doença?

Mais de 40 anos, gestação múltipla, obesidade, diabetes pré-existente, algumas doenças reumatológicas, histórico familiar ou de pré-eclâmpsia em gestação anterior.

  1. Quem teve hipertensão na gestação tem maior chance de ter pressão alta ao longo da vida?

Não, não há esta associação para a hipertensão gestacional.