Seu filho está crescendo de maneira saudável?

Ortopedista fala sobre as etapas e distúrbios do crescimento infantil

A maneira como a criança se desenvolve e o ritmo do seu crescimento são reflexos da sua saúde como um todo. Ou seja, uma criança saudável cresce de maneira saudável.

O ortopedista pediátrico Felippi Cordeiro, do Grupo São Cristóvão Saúde, em São Paulo (SP), explica que uma ferramenta importante para essa avaliação é a curva de crescimento, que acompanha e identifica qualquer alteração de padrão no desenvolvimento infantil. “Se a criança estava seguindo uma linha e sai dela para baixo é sinal de que a velocidade de crescimento está aquém do esperado”, comenta.

Por que algumas crianças demoram mais para crescer?
Segundo Cordeiro, a queixa mais comum é a baixa estatura ou a diminuição de velocidade do crescimento. “Várias alterações podem atrapalhar o desenvolvimento de uma criança. Distúrbios metabólicos, alterações hormonais, desnutrição, atividade físicas inadequadas, lesões das cartilagens de crescimento pós-trauma ou infecções são algumas delas”, explica.

E para identificar possíveis causas, é necessário investigar o histórico familiar e outros aspectos do desenvolvimento do paciente.

Meninos e meninas
Outro ponto importante é que o desenvolvimento ocorre de maneira distinta entre meninos e meninas. A principal diferença acontece durante o início da puberdade. O chamado “estirão” nas meninas ocorre, em média, entre os 11 e os 12 anos de idade, junto com o aparecimento dos primeiros sinais de puberdade.

Nessa fase, uma menina pode crescer 8 centímetros por ano – em alguns casos pode chegar até a 12 cm. Após a menstruação, o ritmo diminui cada vez mais até o fechamento das cartilagens. Já para os meninos, o estirão de crescimento ocorre mais tarde, em torno dos 13 ou 14 anos de idade. “O desenvolvimento da criança segue, em geral, um padrão familiar. A idade da menarca da mãe e o padrão de desenvolvimento do pai são dados importantes para saber se a criança está crescendo de maneira saudável”, revela.

Crescer dói?
As famosas “dores do crescimento” afetam crianças entre 3 e 10 anos de idade e atingem principalmente os membros inferiores. Uma das causas possíveis dessas dores, segundo o ortopedista, é a fadiga muscular. “A criança pode sentir dor e câimbras nas pernas ao fim do dia”, relata. O período do primeiro estirão e falta de vitamina D também podem ocasionar dores musculares. Mas, segundo o médico, é importante ter atenção à frequência e intensidade das dores. “Se forem diárias, contínuas, associadas à febre ou outros sintomas, devem ser investigadas por um ortopedista pediátrico”, recomenda.

Dicas para um crescimento saudável
É importante que a criança tenha uma alimentação diversificada e rica em nutrientes. “A obesidade infantil pode levar a inúmeros problemas ortopédicos”, alerta o médico. Uma forma de combater isso é a prática de esportes.

Porém, isso deve ser feito com acompanhamento e segurança, já que crianças podem estar predispostas a lesões. O excesso de atividades físicas também pode levar a alterações fisiológicas e anatômicas que afetam o crescimento. “O esporte na infância é importantíssimo para evitar o sedentarismo e estimular o desenvolvimento saudável do corpo, desde que acompanhado de um profissional habilitado”, finaliza.