Entenda o broncoespasmo induzido por exercício

Atletas são os mais atingidos pelo problema

A atividade física é para lá de indicada para pessoas saudáveis ou com doenças crônicas. O último grupo pode, inclusive, ser beneficiado com o aumento da capacidade respiratória e a melhora da qualidade e expectativa de vida. No entanto, há um alerta para os praticantes profissionais: a rotina vigorosa de exercícios aumenta o risco de sofrer com broncoespasmo induzido por exercício (BIE), que nada mais é do que uma obstrução transitória das vias aéreas capaz de causar tosse, a dispneia (dificuldade para respirar) e sibilos (ruído característico da asma brônquica).

“Estudos recentes avaliaram, prospectivamente, 659 atletas de ambos os sexos, com idade entre 16 e 40 anos, da delegação olímpica italiana (Sidney 2000, Beijing 2008 e Londres 2012), por meio de questionários e exames clínicos, para identificar a presença de asma e outras doenças alérgicas. A prevalência de asma foi de 14,9%, tendo sido observada uma elevação da frequência no período de 2000 e 2008 (11,3% e 17,2% respectivamente)”, conta Flávio Sano, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), de São Paulo (SP).

O quadro atinge praticantes de qualquer atividade, mas afeta com maior frequência aqueles que competem em esportes de resistência, como corrida de longas e médias distâncias, hóquei sobre o gelo, natação e futebol. Isso porque esses atletas têm uma demanda ventilatória maior e mais sustentada que os atletas de explosão.

E, se você está se perguntando como fugir desse problema, a resposta não é tão simples: o quadro está diretamente relacionado com a intensidade e duração da atividade física, a qualidade do ar respirado – já que os poluentes são desencadeantes – e as características do ambiente, como neve, gelo, partículas gasosas e cloro.

“Dependendo do tipo de esporte, até 50% ou mais dos atletas podem apresentar sintomas respiratórios após os exercícios”, explica Sano. Por isso, ao menor sinal do problema, o ideal é procurar um especialista ao invés de achar que os sintomas são decorrentes do esforço físico ou ignorá-los por receio de não serem qualificados como aptos para o esporte.