Alzheimer deve aumentar nas próximas décadas

O número de pessoas com diagnóstico de demência, em todo o mundo, pode crescer 278% até 2050

Segundo estimativas da Alzheimer’s Disease International (ADI), as demências afetam mais de 47 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, são estimados 55 mil novos casos de demências todos os anos, a maioria decorrentes do Alzheimer.

Carlos André Uehara, geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), de São Paulo (SP), chama a atenção para o fato de a população brasileira estar envelhecendo de forma acelerada. “Na Europa, a transição demográfica foi um processo muito mais longo do que está acontecendo aqui. Em menos de 100 anos nós praticamente duplicamos a expectativa de vida”, explica.

Diagnóstico
O diagnóstico do Alzheimer é clínico, ou seja, depende da análise de um médico geriatra ou neurologista para avaliar a capacidade cognitiva do indivíduo. O Alzheimer e outras patologias neurodegenerativas devem ser acompanhadas de perda funcional do cérebro, afetando tarefas rotineiras e progressivamente tornando o idoso mais dependente.

Os exames clínicos são solicitados para comprovar ou excluir causas de demências secundárias, como lesões cranianas, isquemias, sinais de acidente vascular cerebral ou tumores cerebrais, além de analisar outros problemas de saúde que podem impactar na capacidade funcional do cérebro, como falta de vitamina B12, mau funcionamento da tireoide e doenças infecciosas.

Escolaridade faz diferença
Apesar de afetar pessoas de diferentes classes sociais, a baixa escolaridade é um dos fatores de risco para o surgimento de demências após os 60 anos. Isso ocorre porque o ensino formal contribui para a criação de redes neurais mais complexas e estimula o cérebro a elaborar uma reserva funcional maior que será gasta ao longo da vida.

Ou seja, um indivíduo que frequentou o ensino superior possui menos chances de adquirir de forma precoce Alzheimer ou outra doença neurodegenerativa do que o indivíduo que foi instruído apenas até no ciclo básico. “O maior nível de escolaridade, assim como a maior prevenção e controle de outros fatores de risco, tem contribuído para estagnar a incidência dessa doença nos países desenvolvidos”, finaliza Renato Bandeira de Mello, coordenador do programa de Residência Médica em Geriatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e diretor científico da SBGG.