Alimentação X Tratamento contra o câncer

Mitos e verdades sobre a dieta para esse período

Nutrição é um assunto importante durante o tratamento contra o câncer. Dependendo do tipo e da localização do tumor, da medicação e das condições clínicas do paciente, aumentam as chances de desnutrição. Por outro lado, alguns pacientes ganham peso, o que pode afetar o resultado do tratamento a longo prazo. Larissa Monteiro, nutricionista da clínica Neolife Bem-Estar, em São Paulo (SP), elenca cinco mitos e verdades sobre alimentação e cuidados para os pacientes que estão em fase de tratamento.

  1. Associar vitamina C à quimioterapia torna o tratamento mais efetivo.

Mito. Os pacientes com câncer podem apresentar deficiência de vitamina C que, por sua vez, pode causar fadiga, dor, fraqueza, má cicatrização de feridas, entre outros sintomas. Estudos recentes relataram uma melhora em marcadores inflamatórios, nos sintomas (como fadiga e dor) e um possível benefício na qualidade de vida quando quando a vitamina C foi administrada por via venosa ou oral. Entretanto, os estudos também recomendam cautela no uso da vitamina, pois ela pode interferir na quimioterapia, além de não relatarem efeito antitumoral. O mais seguro é que o paciente tenha uma ingestão de vitamina C adequada através da alimentação.

  1. O uso de suplementação de vitaminas e minerais pode beneficiar pacientes.

Mito. De acordo com o WCRF (World Cancer Research Fund International, ou Fundo Mundial para Pesquisa em Câncer) e estudos recentes, o uso de suplementos de vitaminas e minerais em pacientes sem deficiência nutricional não é justificável. A ingestão pode comprometer a eficácia do tratamento. Devido à inconsistência dos estudos, o melhor a fazer é uma nutrição adequada.

  1. A ingestão de alimentos industrializados, embutidos e processados prejudica as pessoas que já tiveram câncer e hoje estão curadas.

Verdade. Após o tratamento, deve-se manter um alto consumo de frutas, legumes e verduras, dar preferência para carboidratos de absorção lenta (grãos integrais, batata doce, mandioca, cará, inhame, arroz integral), grãos e sementes (aveia, chia, semente de girassol), castanhas, gorduras boas (azeite extra virgem, abacate), menor consumo de carne vermelha e maior consumo de carne branca e proteína vegetal (feijão, grãos de bico, ervilha, milho, quinoa).

  1. Uma alimentação vegetariana reduz o risco de a doença voltar.

Em termos. Estudos sugerem que este tipo de dieta pode conferir alguma ação protetora para o risco de câncer em geral, embora não seja consenso, uma vez que existem outros fatores de risco para o desenvolvimento do câncer (fumo, álcool, sedentarismo, genética).

Os estudos sugerem que, ao retirar a carne do cardápio, retira-se substâncias que causam inflamação, alteram a microbiota intestinal e diminuem o fator de crescimento tumoral (IGF-1). Além disso, o alto consumo de vegetais e frutas prediz um menor risco para certos tipos de câncer. No entanto, uma mudança para este padrão alimentar deve ser acompanhada por nutricionista e médico especialista a fim de evitar qualquer carência nutricional.