Fumantes podem ter mais complicações em cirurgias

O tabagismo aumenta chances de complicações respiratórias e trombose

“O cigarro irrita a mucosa respiratória, o que causa acúmulo de secreção, podendo complicar a anestesia. Além disso, a tosse pode atrapalhar a recuperação de algumas cirurgias como abdome e face. Do ponto de vista vascular, o risco de trombose também é maior em pacientes fumantes”, explica Beatriz Lassance, cirurgiã plástica e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Isaps (International Society of Aesthetic Plastic Surgery), de São Paulo (SP).

Calibre dos vasos

Um estudo publicado na revista da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica analisou o histórico de 40 mil pacientes e comprovou a maior incidência de complicações em naqueles que eram tabagistas, incluindo trombose pulmonar, infecção, hematoma, necrose de tecidos e problemas com qualidade de cicatriz.

De acordo com a médica, além da produção de radicais livres, responsáveis por aceleração do envelhecimento, o cigarro induz à diminuição no calibre dos vasos sanguíneos e, consequentemente, no aporte de oxigênio e nutrientes na região da pele. Este também é um fator de risco para a trombose.

Cicatrização complicada

O cigarro também compromete a cicatrização. Isso pode levar ao surgimento de necroses, afastamento das partes costuradas (as chamadas deiscências de suturas), dentre outras complicações. Por isso, o cirurgião precisa recorrer a outras técnicas cirúrgicas, com descolamentos menores de tecidos, para proteger o paciente de possíveis complicações – além, é claro, de indicar a abstinência do fumo no pré-operatório. “Seguindo orientação de artigos científicos, recomendo parar de fumar a partir de quatro semanas antes da cirurgia até quatro semanas depois”, explica Beatriz.